Por meio da Resolução RDC nº 360, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), até 31 de julho deste ano todos os alimentos comercializados em embalagens deverão conter as informações nutricionais.
Para a ANVISA a rotulagem vai familiarizar o consumidor com as propriedades nutricionais dos alimentos - valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, sódio etc -, o que contribuiria para um consumo adequado dos mesmos.
No último dia 30 de junho os ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e da Saúde (MS) e o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA), da Universidade de Campinas (UNICAMP), lançaram a segunda versão da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), com resultados da análise de quase 500 alimentos.
Segundo o MDS, na segunda etapa do projeto foram investidos R$ 933 mil na análise de mais de 270 produtos alimentícios. Para a próxima fase, que começa em setembro deste ano e deve analisar mais 100 alimentos, já foram destinadas verbas na ordem de R$ 700 mil.
Iniciado em meados da década de 90, o projeto visa construir uma base de dados da composição nutricional dos alimentos nacionais, para aprimorar as políticas públicas e ações dos profissionais ligados à alimentação e nutrição.
É possível fazer download da tabela no site: www.unicamp.br/nepa/taco/tabela.php?ativo=tabela
Pesquisa desenvolvida pelo médico pediatra Dioclécio Campos Jr., do Hospital Universitário de Brasília (HUB), confirma que o zinco melhora entre 30 a 40% o apetite de crianças para refeições de sal. O trabalho foi publicado no Jornal de Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
O estudo duplo cego acompanhou, durante seis meses, um grupo de 40 crianças (entre oito meses e quatro anos) e de mesmo padrão alimentar. Divididas em dois grupos de vinte, as crianças recebiam cerca de 1mg de solução de quelato de zinco/kg de peso, ou seja, uma criança com 10kg recebia 10mg da substância por dia.
Os resultados do estudo foram obtidos através de questionários respondidos pelos pais e dos relatos durante as consultas. Do grupo que recebeu o zinco, 17 melhoraram o apetite para refeições com sal; no outro grupo, dez melhoraram o apetite. Os outros 50% não sentiram diferença.
"Se reduzirmos do grupo que melhorou o apetite tomando zinco (17) os que tiveram melhora tomando placebo (10), encontramos sete crianças que tiveram mudanças no apetite. Isso demonstra que a eficiência do zinco é da ordem de 30% a 40%", afirma Campos, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Quanto ao horário das refeições das crianças, ele aconselha: “O momento da refeição deve ser uma hora agradável, sem cobranças. É o momento de falar de coisas prazerosas. A televisão também deve estar longe", sugere Campos. Se, mesmo assim, a criança não quiser comer, a mãe deve guardar o prato e depois oferecê-lo, quando ela tiver fome. É importante não desistir nas primeiras tentativas, é preciso oferecer todos os dias", acrescenta.
Segundo o Dr. Campos, obrigar a criança a se alimentar é a pior medida a ser adotada pelos pais: “Isso representa uma tortura, uma violência para a criança e vira um círculo vicioso. Quanto menos a criança quer, mais os pais obrigam”.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, no último dia 23 de junho, resultado de levantamento baseado nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002/ 2003 sobre altura e nutrição de crianças e adolescentes.
Segundo o estudo, a desnutrição infantil diminuiu nos últimos 30 anos no Brasil, principalmente entre os menores de cinco anos e nas populações de baixa renda das regiões Norte e Nordeste. Entre 1974 e 1975, 16,6% das crianças brasileiras menores de cinco anos eram desnutridas. Nos anos de 2002 e 2003 esse índice caiu para 4,6%.
Entre os principais resultados da pesquisa estão: os jovens brasileiros estão mais altos e os adolescentes estão com mais excesso de peso; 18% dos garotos e 15,4% das meninas, entre 10 e 19 anos, estão com excesso de peso; a desigualdade econômica ainda é um fator determinante na questão da nutrição e da altura: 22,18% dos meninos de famílias de menor renda têm déficit de altura; entre os meninos nascidos em famílias com rendas maiores, 28,2% estão com excesso de peso.
Mais informações no site do IBGE: www.ibge.org.br
Estudo da UNIFESP, coordenado pela nutricionista Paula Morceli de Castro, avaliou o conteúdo de propagandas veiculadas nos programas infantis de televisão e constatou que, a cada 10 minutos de propaganda, 1 minuto promove o consumo de produtos alimentícios, nem sempre saudáveis.
Segundo a especialista, todos os comerciais analisados eram de produtos com alto conteúdo de gordura saturada e açúcar refinado. “Isso indica que as crianças são estimuladas a consumir quase diariamente alimentos muito calóricas e pouco nutritivos. A nossa preocupação é de que esse hábito continue na adolescência e na idade adulta, levando à obesidade”, afirma.
O material analisado pela nutricionista tem 600 minutos e foi gravado durante
a programação infantil de duas das maiores emissoras do país,
entre 8h e 12h, em julho de 2003, mês de férias escolares.
O objetivo inicial era verificar o número dos anúncios e o
perfil dos produtos, pois segundo dados da Organização Mundial
de Saúde (OMS), apenas 30 segundos de propaganda são suficientes
para exercer forte influência sobre as crianças. Nesse estudo
da UNIFESP, 5 minutos e 3 segundos do material gravado foram gastos com
a venda de produtos alimentícios.
A coordenadora do estudo ressalta que o consumo das guloseimas é
facilitado pelo preço, variedade e disponibilidade. Paula reconhece
que, hoje em dia, é mais fácil dar um pacote de salgadinhos
e um refrigerante do que cozinhar para as crianças.