Procure:
 

Noticias da SBAN - Abril de 2008

Novas Estratégias de Ensino Ajudam no Aprendizado

Professores da Universidade de Brasília (UnB) publicaram um artigo na Advances in Phisiology Education apresentando novas técnicas de ensino. Baseados nos conceitos de filosofia ativa e da aprendizagem baseada em resolução de problemas, o grupo criou técnicas de ensino que incluem a tutoria, simulação de mini-congressos, realização de experimentos científicos, criação de blogs científicos e elaboração de aulas pela internet para a comunidade.

Há 12 anos o professor Marcelo Hermes-Lima utiliza estas técnicas nas suas aulas do Departamento de Biologia Celular da UnB. Ele acredita que elas auxiliam os alunos a desenvolverem conhecimentos e habilidades com situações reais. Isso faz com que, com a ajuda de tutores, os alunos aprendam mais rapidamente os conceitos e teorias das disciplinas. A interação estudante/corpo docente/situações reais amplia as formas de conhecimento.

Para os professores, a parte teórica fica a cargo de cada aluno, na leitura de livros, artigos e apostilas. Em entrevista à Agência Fapesp, o professor Marcelo afirmou: "Não acreditamos que seja útil gastar o tempo em sala de aula com uma exposição sobre a via oxidativa dos ácidos graxos, por exemplo, se os alunos podem consultar o livro. Na sala de aula, nos dedicamos à aplicação do conhecimento".

O artigo, assinado também pelos professores Alexandre Sé, Renato Passos e André Ono, da Faculdade de Medicina da UnB, sintetiza oito estratégias de aprendizagem que atuam como ferramentas de ensino:

Para ler o artigo completo acesse: The use of multiple tools for teaching medical biochemistry, de Marcelo Hermes-Lima e outros.


Unifesp Estuda Síndrome Metabólica nos Nipo-Brasileiros

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) analisaram a prevalência do diabetes e de riscos cardiovasculares em descendentes da cultura oriental. A população nipo-brasileira, residente na cidade de Bauru (SP), foi estudada por 14 anos, de 1993 a 2007. O trabalho foi dividido em três etapas, sendo a última com três intervenções e avaliações clínicas anuais.

Em 1993, com o estudo feito em 647 indivíduos adultos, entre 40 e 79 anos, concluiu-se que os descendentes de primeira e segunda geração de japoneses teriam uma prevalência de 20% com diabetes. Avaliando toda a população brasileira, este índice é de 7,5%.

A pesquisadora Antonela Siqueira afirma que estes decendentes têm uma prédisposição genética aos males causados pelo sedentarismo, estresse e alimentação rica em gordura e açúcar. Assim, algumas mudanças na dieta e a prática de atividades físicas podem ser medidas efetivas para combater o problema.

Entrevistada pela Agência Fapesp, Antonela disse que "a primeira fase do estudo indicou que a prevalência de diabetes entre os nipo-brasileiros era quase o triplo do resto da população. Em 2000, começamos a estudar a presença da síndrome metabólica – o conjunto de fatores de risco cardiovascular, que inclui diabetes, hipertensão arterial, distúrbios lipídicos e obesidade".

Na segunda fase, realizada no ano 2000, o estudo foi ampliado analisando um total de 1.330 pessoas. Na época, foram levadas em conta os fatores dietéticos e a incidência passou de 20 para 35%. Os voluntários analisados tiveram sua medida abdominal incluída no estudo, pois segundo Antonela “Para os nipo-brasileiros, gordura no abdome significa perigo para a saúde. Os problemas aparecem quando a medida passa de 102 centímetros, para um homem ocidental, ou dos 90 centímetros, para um oriental”.

A avaliação mostrou que o aumento do índice de síndrome metabólica, nestes povos, aumentou devido ao consumo exagerado de carne vermelha, carboidratos refinados sem fibra e outros alimentos com gordura saturada. Nos sete anos, entre a primeira e a segunda fase, a população estudada teve um aumento no colesterol ruim, diabetes e principalmente triglicérides. A terceira fase foi planejada a partir destes resultados. Desta forma, nos anos de 2005, 2006 e 2007 foram feitos exames para verificar pressão sangüínea, peso, circunferência da cintura, colesterol, triglicerídeo e glicose na população.

Esta fase foi realizada com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, com nutricionistas e educadores físicos, focando em orientação para mudanças na dieta e estímulo à atividade física. Os resultados foram melhorando a cada ano, inclusive sem a prescrição de medicamento.


Evento Aborda Gastronomia Molecular

No dia 26 de abril, o Ganep Nutrição Humana realizará um curso com as nutricionistas Andréa Esquivel e Maria Izabel Lamounier Vasconcelos. O curso acontecerá em São Paulo, das 9h às 17h, e será transmitido ao vivo para auditórios nas cidades de Belo Horizonte, Curitiba e Cuiabá.

Com o tema "Gastronomia Molecular - o encontro da ciência com a arte em prol da saúde", é voltado para nutricionistas, médicos, profissionais e estudantes da área de saúde em geral. Especialistas do setor alimentício, chefes de cozinha e todos os interessados em gastronomia também podem participar.

Na programação estão os seguintes tópicos:

Para se inscrever é preciso entrar em contato com a equipe do Ganep pelo telefone: (11) 3284-6318. Os participantes receberão apostila com as aulas e receitas, além do certificado de participação.


Seminários de Alimentação Em Todo o País

Estão abertas as inscrições para os seminários sobre vigilância sanitária de alimentos que serão realizados em todas as regiões do Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A iniciativa visa a capacitação dos profissionais do setor e pretende atingir cerca de mil empresas nacionais.

A diretora da Agência, Maria Cecília Martins Brito, acredita que a ação irá beneficiar a população na medida em que contribuirá para a melhor adequação e execução da legislação sanitária vigente. Segundo ela, os seminários regionais estimularão a participação de empresas de pequeno porte.

O primeiro seminário será realizado na região Centro-Oeste, em 12 de maio, na cidade de Goiânia (GO). A expectativa é reunir 200 participantes de toda a região para o I Seminário Regional de Orientação ao Setor Regulado na Área de Alimentos.

Veja mais no site da Anvisa.


Mecanismos Cerebrais Regulam o Comportamento Ingestivo

Um estudo da Universidade Duke, nos Estados Unidos, sugere que “mesmo na ausência de qualquer estímulo gustativo, o cérebro é capaz de escolher o alimento com mais calorias”. Os pesquisadores afirmam que os resultados podem ser explicações para a compreensão de causas da obesidade.

Publicado na revista Neuron, o trabalho foi realizado com animais geneticamente modificados de forma que seu paladar fosse anulado, ou seja, os animais perderam a capacidade de sentir sabores doces. Mesmo assim, submetidos a diferentes tipos de alimentos, os animais deram preferência aos alimentos mais calóricos. Fazem parte da equipe de pesquisadores os brasileiros Ivan de Araújo (primeiro autor) e Miguel Nicolelis (professor titular do Departamento de Neurobiologia da Universidade Duke).

Ivan Araújo acredita que a tentativa de substituir o alimento por uma versão menos calórica pode ser ineficaz. Desde junho de 2007 ele está no Instituto John B. Pierce, ligado à Universidade Yale, analisando o sistema gustativo dos animais. “A recompensa não é o sabor, e sim a caloria. Não surpreende que esses mecanismos cerebrais, de alguma forma, priorizem o aspecto nutritivo e, desse modo, não sustentem o consumo de compostos menos calóricos a longo prazo”, destacou à Agência Fapesp.

Veja a matéria completa publicada no site da Agência Fapesp, indicando estudos similares.

O artigo Food reward in the absence of taste receptor signaling, de Ivan E. de Araújo e outros, pode ser lido no site da Neuron.


Anvisa Reduz Quantidade de Adoçantes em Alimentos

Os produtores de alimentos industrializados deverão reduzir a quantidade de sacarina e ciclamato contidos em seus produtos. Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que o limite destes adoçantes nos alimentos diet e light deve ser a metade do que tem sido apresentado. As empresas produtores têm três anos para se adequarem às novas normas.

Em contrapartida, três novos aditivos edulcorantes poderão ser utilizados nestes alimentos: a taumatina, o eritritol e o neotame. A Resoluçaõ RDC 18/08 foi determinada tendo como base normas internacionais - o Codex Alimentarius, da União Européia e Food and Drug Administration (FDA) - e a existência de sódio (ou não) nas substâncias utilizadas na substituição do açúcar refinado.

Veja a resolução.