O aumento na prevalência da desnutrição e a maior incidência de problemas respiratórios e infecções são duas das possíveis conseqüências da mudança de temperatura global. A advertência é da Organização Mundial de Saúde (OMS), que esteve presente na elaboração do relatório aprovado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), entre os dias 2 e 6 e abril, em Bruxelas.
Além disso, a organização alertou que a ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos (como tempestades, inundações, entre outros) pode elevar o número de mortos, doentes e feridos no planeta. Um triste exemplo disso foi a morte de 35 mil pessoas, na Europa, devido à onda de calor, em 2003.
No mês de abril, teve início, no Rio de Janeiro, a pesquisa sobre as condições alimentares de meninos e meninas de 7 a 10 anos que participam do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). O objetivo é atuar na prevenção da obesidade, na redução do sedentarismo e na melhora do padrão alimentar, promovendo ações nas áreas de saúde, esportes e lazer.
O projeto, iniciativa da Secretaria Municipal de Assistência Social, está avaliando o estado nutricional de cerca de 2,3 mil crianças. Para isso, realiza reuniões com seus familiares e a capacitação de agentes comunitários e dinamizadores do PETI. Estes devem conhecer o consumo alimentar de cada criança, sendo responsáveis pela sua medição e pesagem.
Desde o dia 2 de abril, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) vem sendo avaliado em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. O objetivo é a redução das doenças ligadas à obesidade infantil, analisando a merenda dos alunos de escolas públicas e apontando melhores alternativas alimentares.
Financiada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, a pesquisa ouvirá, entre abril e maio, 21,6 mil estudantes do ensino fundamental de 690 municípios brasileiros, além de professores, merendeiras e diretores escolares das redes federais, estaduais e municipais.
De acordo com a coordenadora da pesquisa e presidente da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran), Andrea Galante, além de as crianças serem submetidas a uma avaliação do estado nutricional, o aspecto da segurança alimentar também é analisado. Ou seja, “é importante averiguar se as recomendações nutricionais estão sendo cumpridas, com cardápios equilibrados em energia, proteínas, lipídios, vitaminas e sais minerais”, lembra.
O PNAE – Criado na década de 1950, o PNAE é o maior e mais antigo programa de alimentação e nutrição do país, já tendo beneficiado aproximadamente 34 milhões de alunos. Apesar disso, esta é a primeira vez que ele passa por uma avaliação. Os resultados devem ser divulgados no segundo semestre deste ano.
No dia 29 de março, foi instalado oficialmente, no campus da Unifesp da Baixada Santista, em Santos, SP, o Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar da Região Sudeste (Cecane). O objetivo é avaliar o monitoramento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), auxiliando na política de segurança alimentar.
Além de traçar o perfil nutricional dos estudantes das nove cidades da Baixada Santista, o centro desenvolve metodologias dirigidas à educação permanente de nutricionistas e profissionais da área.
Atualmente, existem cinco unidades do Cecane no país. No Sul, o centro foi criado pelas Universidades Federais do Paraná (UFPR) e do Rio Grande do Sul (UFRS); no Centro-Oeste, pela Universidade de Brasília (UnB); e no Norte/Nordeste, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O Cecane/Sudeste funciona na Avenida Ana Costa, 95, Vila Mathias, Santos, SP. Informações pelo telefone: (13) 3221-9206.
O trabalho da nutricionista Wanessa Aquino (Implementação da Educação Nutricional no Serviço Público: Visão de Profissionais de Saúde e de Usuários) recebeu menção honrosa, no último mês de dezembro, em Brasília. Ele foi um dos selecionados, na categoria especialização, para a cerimônia de entrega do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS – 2006, sendo o único premiado na área de nutrição.
Wanessa, que também é professora da Universidade Presidente Antonio Carlos (Unipac), elaborou a monografia para a conclusão do curso de especialização em Políticas e Pesquisa em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG.